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Luiz Gonzaga do Nascimento, o rei do nordeste brasileiro

Neste período o principal veículo de comunicação do país era o rádio. Suas novelas, programas de auditório e artistas encantavam um número cada vez maior de pessoas. Era sua época de ouro. As grandes emissoras eram ouvidas em todo o país, inclusive na terra-natal de Luiz, onde sua família acompanhava de longe a ascensão do futuro rei. Complementando a programação do rádio, as emissoras publicavam revistas onde haviam informações sobre os capítulos das novelas, os artistas e os programas. A cultura de mídia tomava forma no Brasil e justamente nesse período surgia a figura de Luiz Gonzaga como símbolo do Nordeste.

Pouco tempo depois, no Recife, Gonzaga conheceria aquele que seria o seu outro grande parceiro musical: o estudante de medicina José de Souza Dantas Filho, o Zé Dantas. Apaixonado pelo nordeste, não perdeu a oportunidade de apresentar algumas de suas letras ao sanfoneiro, entre elas a conhecidíssima “Vem Morena”. Em 1950, Zé Dantas Mudaria para o Rio, para estagiar no Hospital dos Servidores. Assim formou-se uma das maiores parcerias da música brasileira.

Pouco tempo antes foi lançado mais um fruto da parceria Gonzaga-Humberto, baseada no que Luiz se lembrava das canções folclóricas tocadas durante sua infância: “Asa Branca”. Luiz nunca escondeu que se apropriara de vários temas como esse, que não pertencia a ninguém, mas era tocado por todos nos bailes e feiras sertão afora. O fato é que a canção tornou-se o hino do Nordeste, firmando estereótipos e revelando uma realidade até então desconhecida pelo sudeste.

Em 1947, Luiz Gonzaga sentia a necessidade de se estabilizar na vida: encontrar uma esposa, comprar uma casa e constituir família, como todo bom sertanejo. Foi quando conheceu, nos corredores da Rádio Nacional, após uma apresentação, aquela que seria sua grande companheira até o fim da vida, apesar das inúmeras relações extra-conjugais que acumulou durante todo esse tempo: Helena das Neves Cavalcanti. Gonzaga impressionou-se com os bons modos e a discrição da moça e julgou ser ela a mulher perfeita para o que procurava. E casou-se em 1948.

Luiz ainda não estava satisfeito com sua própria imagem enquanto representante do nordeste: seu visual ainda era tradicional demais e não refletia em nada a realidade do sertanejo. Pensou então em evocar seu ídolo de infância, o cangaceiro Lampião. Pediu que sua mãe enviasse um chapéu de couro, ao estilo do seu herói. Obviamente, para todo pioneiro, as objeções são freqüentes e precisou esperar um pouco mais para estrear sua nova indumentária. Apenas em 1949 conseguiu que o aceitassem de chapéu, porém ainda com a roupa social que padroniza e formaliza a imagem do masculino. Após certo tempo, quando já desfrutava de grande prestígio introduziu ao seu figurino o gibão de vaqueiro. Mais uma vez Luiz contribuía para a criação de estereótipos do nordestino: nos cartazes da Rádio Nacional sempre o ritmo nordestino era retratado através de um homem vestido como Gonzaga.

Na década de 50, Luiz Gonzaga passou a fazer apresentações por todo o Brasil, o que se tornou, juntamente com as mulheres, sua grande paixão. Passava meses sem ver a esposa. Com sua presença nas cidadezinhas por todo o país, reforçou a simpatia que conquistou através do rádio, que fez com que, mesmo após seu auge, fosse respeitado e amado pelos mais diversos públicos.

O período de auge do rei do Baião corresponde a praticamente uma década (1946-1955), onde as parcerias, principalmente com Humberto Teixeira e Zé Dantas, renderam-lhe o status de peça fundamental na Música Popular Brasileira. Era chegada a hora do Baião ceder seu lugar a uma música que atendesse às novas necessidades musicais da sociedade:

Efetivamente, a agitação cultural, social e política que vigorou até meados da década de 60, e pariu, entre outras coisas, um dos grandes movimentos musicais do Brasil, atingia essencialmente a classe média e a classe alta, cujas relações com a cultura eram e são profundamente vinculadas à mídia. Na hora em que a mídia se desinteressou de Luiz Gonzaga, a classe média se desligou do Baião e Luiz Gonzaga ficou marginalizado. No entanto, a classe média só representava uma parte do público do artista. Havia também as classes populares e rurais. Indiferente às modas, à midiatização, às opções culturais da burguesia intelectual, esse público tinha no Rei do Baião seu porta-voz. Luiz Gonzaga era a afirmação da cultura dos “incultos”. O período de ostracismo midiático que ele sofreu por não ser mais moda não o impediu o reconhecimento de sua condição de patrimônio nacional. (DREYFUS, 1997, p. 208.)

Com a chegada da bossa nova, da jovem guarda, dos rocks estadunidenses restou ao rei ir ao encontro dos seus súditos: caiu na estrada e visitou milhares de cidadezinhas de interior, Brasil afora. Tocou em palcos grandes e em carrocerias de caminhão, participou de campanhas políticas, promoveu marcas e envolveu-se com inúmeras mulheres, destacando-se Edelzuíta, que conheceu na década de 70 e o acompanhou como amante até sua morte. A verdade é que mesmo com idade avançada, o velho Lua nunca abandonou seu público ou suas idéias de promover o sertanejo e todo aquele mundo que conheceu tão profundamente durante a infância.


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Publicado por I. Malforea

BLUEZinada! é uma zine produzida pela Distintivo Blue e distribuída gratuitamente, desde 2011. Saiba mais sobre a banda:

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