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» » » » Luiz Gonzaga: Rei do Baião, Rei do Nordeste - parte 6

Luiz Gonzaga do Nascimento, o rei do nordeste brasileiro


Durante o período chamado de ostracismo, de 1956 até 1967, a música de Gonzaga foi retirada da mídia e deu lugar a outros gêneros musicais, essencialmente urbanos e focados nas novas tendências: a bossa nova conquistava cada vez mais adeptos, ao mesmo tempo em que o rock n’ roll invadia as lojas de discos. Crescia também sua versão tupiniquim, representada por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e companhia, a jovem guarda, terror dos bossa-novistas. A televisão surgia no Brasil e começava a ocupar o espaço que outrora era exclusivo do rádio, elemento essencial de divulgação do baião. Os filmes hollywoodianos agora conquistavam o imaginário popular, com seus galãs e histórias envolventes e de fácil assimilação. Parecia o Baião estar condenado ao esquecimento.

Neste momento em que as metrópoles viraram as costas ao rei, o mesmo não aconteceu com as pequenas cidades, especialmente as sertanejas: Gonzaga continuava a receber o carinho de milhares de fãs por onde passava. Sempre havia algum patrocinador disposto a promover sua marca associando-a à imagem do velho Lua:

"No interior, onde ele chegasse, a qualquer hora, os animadores de rádio o acolhiam em pleno programa: para ele, sempre havia um microfone. Conversavam um minutinho, passavam uma música do novo disco, anunciavam a próxima vinda do grande cantador do Nordeste. Não existiam, propriamente, casas de show. Gonzaga se apresentava nos auditórios das rádios locais, nos cinemas, nas praças públicas e, o grande xodó dele, nos circos. Ele mesmo ia ver os donos, e propunha se apresentar." (DREYFUS, 2007, p. 209-210).

Quando do surgimento da tropicália aconteceu um fenômeno no mínimo intrigante para os que ignoraram o rei do Baião: seus principais representantes, Gilberto Gil e Caetano surpreenderam a crítica do país ao afirmarem ter em Luiz Gonzaga uma forte e indispensável influência:

"No final dos anos 60, a geração que estava emergindo era justamente a criançada dos anos 50, despertada para a música pela voz e sanfona maravilhosas de Luiz Gonzaga, enchendo as ruas das cidadezinhas interioranas, se apresentando nos circos, nas praças públicas, brilhando nos programas da Rádio Nacional. Agora, afirmavam a influência do sanfoneiro que tanto alegrara a infância deles. Contudo, na entrevista em que Gilberto Gil evocava o sanfoneiro como influência importante, perguntavam a ele: “E que fim levou Luiz Gonzaga?”, demonstrando o grau de esquecimento em que caíra o Rei do Baião." (DREYFUS, 2007, p. 244-45).

O fato é que depois disso a mídia voltou a se interessar por Luiz Gonzaga. Agora num novo ambiente, dominado pela televisão, passou a se apresentar em programas de auditório. Era cada vez maior o número de novos artistas que alegavam ter em Gonzaga uma forte influência musical. Surgiu até mesmo um boato, criado por Carlos Imperial, de que os Beatles gravariam “Asa Branca” em seu novo disco, o White Album, o que causou uma agitação considerável.

Como resposta aos seus “filhos” que o acolheram, Luiz Gonzaga gravou um disco cantando apenas músicas da nova geração: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Antônio Carlos e Jocafi, Capinan, Edu Lobo, Dori Caymmi, Geraldo Vandré, e uma nova versão de “Asa Branca”, em dueto com seu filho, Gonzaguinha. Na faixa “Bicho Eu Vou Voltar” faz um explícito agradecimento a esse grupo de novos artistas, com direito até a uma prosa com Humberto Teixeira, que reforça o discurso, afirmando que “a bola agora está com eles”. O disco não foi uma explosão de vendas, mas teve boa repercussão.


Continua na próxima semana.
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Publicado por I. Malforea

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