Cat-1

Cat-2

Cat-3

Cat-4

» » » » Luiz Gonzaga: Rei do Baião, Rei do Nordeste - parte 7

Luiz Gonzaga do Nascimento, o rei do nordeste brasileiro

Outros artistas, não necessariamente ligados à tropicália, também se declararam filhos musicais do velho Lua. Um bom exemplo é o baiano Raul Seixas: criado entre o rock n’ roll primitivo de Chuck Berry e Elvis Presley e o baião de Gonzaga, constantemente fazia paralelos entre os dois reis: considerava que ambos possuíam a mesma malícia e carisma que somente lendas possuem. Seu primeiro grande sucesso, a propósito, foi a canção “Let me sing, Let me Sing”, que o levou ao primeiro festival de música popular conquistado. A canção alternava partes em puro rock n’ roll e puro baião, inclusive sendo cantada em inglês e em português com sotaque caipira. Além disso Raul fez uma belíssima versão em inglês e em estilo puramente country do hino do nordeste, “Asa Branca”, cuja letra é bastante fiel à original e recebeu o óbvio nome de “White Wings”:

When i stare the ground of my land
Burning loose as dancing flames
I asked man there upon the heavens
If i deserve me this kind of pain
I asked the man there upon the heavens
If i deserve me this kind of pain
Everywhere the ground is so dry
There's no trees, no green, just red
I lost my cattle, my apaloosa
For lack of water some took away
I lost my cattle, my apaloosa
For lack of water some took away
Even white winged birds flew away
Flew away from my land sight
It was when i said goodbye sweet rosie
Keep in to your heart, this heart of mine
It was when i said goodbye sweet rosie
Keep in to your heart, this heart of mine
Many thousands miles away, now
Feeling lonely, lost and blue
I keep on waiting rain falls again there
So i'll be back thou home again
I keep on waiting rain falls again there
So i'll be back thou home again
When the glow green of your eyes
Flows again all over land
I can asure you, so don't you cry, no
'cause i'll be back, see to you again!!
I can asure you, so don't you cry, no
'cause i'll be back, see to you again!! 





Outros artistas que carregam o legado de Gonzaga são os nordestinos Zé Ramalho, Elba Ramalho (considerada sucessora de Marinês, a rainha do xaxado, que acompanhou Gonzaga durante certo tempo), Geraldo Azevedo, Alceu Valença e Fagner, que chegou a gravar discos em parceria com o rei. Também em outros gêneros, muitos artistas da embrionária vertente que viria a ser intitulada de axé music foram profundamente influenciados por Gonzaga, em especial um de seus maiores ícones, Luiz Caldas. Até mesmo o Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar chegou a gravar com o rei.

Na mais recente geração de músicos nordestinos, já netos do rei, filhos da tropicália e de toda a geração dos anos 60 e 70, como Zeca Baleiro, Pedro Luís e a Parede, Chico Science, Lenine, dentre muitíssimos outros, a música gonzagueana está impregnada de forma concretíssima. O baião sempre aparece aqui ou ali, de uma forma ou de outra, seja no manguebeat, seja na música erudita-sertaneja de Xangai. Dentre os músicos que seguiram mais profundamente o estilo do rei, é unanimidade a legitimidade de Dominguinhos como sucessor oficial do legado do rei. Em todas as obras a respeito do velho Lua, aparece como seu seguidor mais próximo e fiel. Por sinal, Dominguinhos foi incentivado pelo próprio Gonzaga a seguir pelo caminho da sanfona. 


Há também, no nordeste profundo, inúmeros “trios nordestinos” fidelíssimos ao baião. Importante ressaltar que a configuração do trio nordestino sanfona-zabumba-triângulo também foi uma criação de Luiz Gonzaga. Ele precisava de uma percussão que fizesse uma marcação forte do tempo aliada a um timbre suficientemente agudo para lhe dar apoio enquanto cantava e tocava sanfona. Até hoje essa configuração é mantida, ainda que seja auxiliada por outros instrumentos mais convencionais da música popular, principalmente nas grandes bandas de forró atuais, que, apesar de misturarem diversos elementos externos e distanciando-se demais do que Gonzagão e Dominguinhos chamariam de forró, ainda são rotulados como tal.

No imaginário popular, Luiz Gonzaga tornou-se um ídolo a ser cultuado. Subiu ao pedestal dos grandes, ao lado do padre Cícero, cultuadíssimo no sertão e de seu próprio ídolo de infância, Lampião. Os três são, indiscutivelmente, a grande tríade de ícones adorados no sertão nordestino. O padre faz o papel do homem bondoso e milagreiro, Lampião é, para uns, um herói que fazia justiça com as próprias mãos, digno de filmes ao estilo faroeste, e Luiz Gonzaga é o homem que deu voz ao povo sertanejo, denunciando suas tristezas e enfatizando suas alegrias. É unanimidade entre jovens e idosos, e tal qual Bob Marley, tornou-se sinônimo de um movimento, de um gênero musical e de um povo. Tal qual o ídolo jamaicano, é impossível num show de forró não haver ao menos uma homenagem ao rei. Todas as bandas de forró se rendem a “Asa Branca”, assim como todas as bandas de reggae se rendem a “No Woman No Cry”. Muitas vezes se rendem a ambos. É o legado do(s) rei(s) evoluindo e se modificando com o passar das gerações.

Continua na próxima semana.
<< PARTE 6 | PARTE 8 >>


Clique no banner abaixo para acessar a página inicial da série:



...
«
Próximo
Postagem mais recente
»
Anterior
Postagem mais antiga

Publicado por I. Malforea

BLUEZinada! é uma zine produzida pela Distintivo Blue e distribuída gratuitamente, desde 2011. Saiba mais sobre a banda:

Nenhum comentário

Comente aqui embaixo:

Leia!

Ouça!

Assista!

Cat-5

Cat-6