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» » » » Luiz Gonzaga: Rei do Baião, Rei do Nordeste - parte 8

Luiz Gonzaga do Nascimento, o rei do nordeste brasileiro

Seu nome se inscreve na galeria dos grandes inventores da música popular brasileira, como aquele que, graças a uma imaginativa e inteligente utilização de células rítmicas extraídas do pipocar dos fogos, de moléculas melódicas tiradas da cantoria lúdica ou religiosa do povo caatingueiro, e sobretudo da alquimística associação com o talento poético e musical de alguns nativos nordestinos emigrantes como ele, veio a inventar um gênero musical, o Baião. O Baião que, à frente de toda uma família de derivados, não só do Nordeste como de outras regiões do país, passa a se constituir no principal gênero da nossa música popular, depois do samba. (GIL, Gilberto In: DREYFUS, 2007, p.9)

Os pioneiros quase sempre tornam-se lendas. Tal qual Robert Johnson com o blues, Chuck Berry com o rock n’ roll ou Bob Marley com o reggae, Luiz Gonzaga não só consolidou um gênero musical considerado de raiz, ou seja: baseado em música folclórica e não-comercial, como firmou toda uma estrutura cultural, onde a música é a válvula de escape, o instrumento pelo qual mágoas, alegrias e desejos são desabafados embebidos em esperança. Robert Johnson influenciou e influencia gerações de músicos em lugares mais longínquos. Bob Marley simplesmente é sinônimo de seu gênero e sua nação. Luiz Gonzaga não poderia ser diferente. Hoje o velho Lua é sinônimo da nação sertaneja, principalmente a nordestina. Possui estátuas em praças públicas, inúmeras biografias, teses e outros estudos seríssimos.

Sua “sanfona e simpatia” são o mais perfeito exemplo de como carisma não depende de estudo ou pode ser enlatado. Simplesmente nasce com seu portador, que pode ou não ser descoberto pela mídia. Grandes homens geralmente são donos de um carisma irresistível, que provocam sensações extremas de amor e ódio. O fato é que não passam jamais despercebidos. Luiz Gonzaga foi o homem que conseguiu se tornar um herói e postar ao lado dos seus próprios heróis. Com sua influência, surgiram outros heróis que puderam também se postar ao lado dele.

O Nordeste nunca mais foi o mesmo depois que “Baião” tocou pela primeira vez na Rádio Nacional. Todo um mundo onde nada era muito preciso foi rotulado e transformado em produto. O drama do nordestino que migrava para o sudeste foi denunciado de forma comovente. O sertanejo se viu retratado nas histórias de bailes, namoros e situações inusitadas a qual eram tão habituados que passavam despercebidas. O rural invadiu o urbano, abrindo espaço para que o inverso também ocorresse. O baião levou o sertanejo a outros países e culturas. Seu mentor, falecido em 1989, continua vivo em todo o universo nordestino, em suas mais variadas vertentes. O tempo passa, as músicas se modificam, mas sempre será possível identificar seu estilo espontâneo e peculiar nos trabalhos de seus descendentes. Este é Luiz Gonzaga, filho de Januário, o matuto que conquistou o mundo.



Continua na próxima semana.
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Publicado por I. Malforea

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