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» » » » » Da África para os EUA e o mundo: blues, uma viagem musical #06


2.3 A escala de Blues

A escala mais utilizada no Blues é a pentatônica, com o acréscimo do que é chamado de blue note (4º aum ou 5º dim). É a blue note que acrescenta toda a característica da sonoridade “blueseira”. Sem ela presente na pentatônica, a sonoridade Blues não seria tão marcante. Ottaviano (2011) ressalta que 

O dicionário geral das escalas apresenta também a escala de blues de sete sons, com terças e sétimas bemolizadas, que era entendida como a escala oficial do Blues, porém, esta é uma interpretação que pode ter um viés jazzístico. Portanto, a escala pentatônica com blue note... é a encontrada na maior parte dos solos clássicos do blues e rock ( OTTAVIANO, 2011, p. 19).

Muggiati (1995) menciona características etnomusicológicas. Ressalta ele “a célula básica do Blues é a chamada blue note... isso corresponderia a uma resistência étnica, a incapacidade - ou recusa - do negro de aderir estritamente à tonalidade européia” (MUGGIATI, 1995, p. 12)

Se analisarmos a estrutura da pentatônica Blues e a associarmos com a harmonia tradicionalmente utilizada nas canções do estilo, perceberemos uma grande característica da sonoridade blueseira. Em Dó Blues, por exemplo, a pentatônica ficaria da seguinte forma:

Figura 2. Pentatônica Dó Blues (Fonte: Site Portal da Música)

Considerando que os acordes utilizados no Blues são, tradicionalmente, acordes maiores com 7º menor (x7), no mesmo tom de Sol Blues, os acordes a serem utilizados seriam (já com as notas que os formam): G7 acorde da tônica (G, B, D, F), C7 acorde da subdominante (C, E, G, Bb) e D7 acorde da dominante ( D, F#, A, C). Ao analisarmos os acordes utilizados com as notas da pentatônica de Sol Blues que seriam executadas na melodia da canção e/ou improviso, facilmente perceberíamos que, no Blues, acordes maiores com 7º menor são executados e as melodias utilizadas sobre eles são relacionadas à acordes menores (m7). Como no caso do primeiro acorde deste tom: G7 apresenta as notas G, B, D e F, mas, a melodia que seria executada sobre ele apresentaria a nota Bb, característica do acorde Gm (sol menor). 

Importante, também, destacar o uso da sétima menor na estrutura da escala. Sendo assim, a terça e a sétima bemolizadas (b3 e b7, respectivamente) são de suma importância na sonoridade característica do Blues. Ao fazermos esta análise, e, sobretudo, através da análise auditiva, percebemos que o Blues não é uma música tonal, e, sim, modal. Esta é uma característica da música africana, cabendo lembrar que o negro africano misturou sua cultura musical com o tonalismo europeu a que foi submetido quando de sua escravização na América do Norte.

2.4 O ritmo

O ritmo, no Blues, é outro fator de suma importância. A fórmula de compasso mais usual neste estilo é o compasso composto. Grande parte de suas canções foram compostas usando-se essa fórmula. Dentro desta estrutura, a célula rítmica mais utilizada é o shuffle, que consiste no uso de uma semínima seguida de uma colcheia, como exemplificado:

Figura 3. Shuffle em Mi Blues (Fonte: Wikipédia)

2.5 Sub-gêneros do Blues

Mesmo com características musicais tão marcantes em relação à sua estrutura, harmonia e
escala, ritmo e improvisação, o Blues apresenta vertentes diferentes, resultando em uma diversidade de estilos dentro de seu universo musical. Estes estilos são comumente classificados de acordo com suas características regionais, aparecendo classificações como: Delta Blues, Texas Blues, Chicago Blues, Memphis Blues, etc. Estes estilos apresentam características tão fortes e marcantes que, ao ouvirmos um artista de Blues, geralmente somos impelidos para a sua vertente dentro do universo bluseiro. São estas características que fazem com que o Blues de Robert Johnson e de John Lee Hooker, por exemplo, seja tão diferente. O mesmo acontecendo com B.B.King e Stevie Ray Vaughan ou entre Buddy Guy e Son House.

O Delta Blues é originário da região do Delta do Mississipi, que compreende cidades como Memphis e Vicksburg, nas proximidades do Rio Mississipi. Suas características envolvem uma voz extremamente melancólica, sentimental e com uso frequente de falsetes, forte influência africana, uso do slide, ou bottleneck, que, de acordo com Ottaviano (2011), “é um objeto cilíndrico, normalmente de vidro ou metal, em forma de tubo, adaptado para o encaixe no dedo anelar, mínimo, ou médio da mão da escala” (OTTAVIANO, 2011, p. 79). O bottleneck, que é utilizado pelo violonista para deslizar sobre as cordas, produz um som tão característico que logo se percebe que o instrumentista está utilizando algum acessório para produzir este efeito sonoro. Son House, Blind Willie Johnson e Robert Johnson são alguns dos grandes nomes do slide neste período. 

Uma canção bem característica do Blues do Delta, na qual o violinista utiliza o bottleneck, é Dark was the night, de Blind Willie Johnson. Nela encontram-se todas as características do Delta Blues citadas acima. Ouvimos o canto lamentoso e freqüentemente em falsete de Willie Johnson, além da influência africana e a utilização do violão com o uso do slide. Algo bem comum neste estilo de Blues é que, geralmente, é música feita por apenas um artista, que executa mais de um instrumento, além da voz. A combinação mais usual é a do violão e voz, às vezes acrescida da harmônica (gaita de boca). Nesse sentido, Dark was the night também segue esta tendência, tendo Blind Willie Johnson utilizando a voz e seu violão, com o uso do slide.

Sendo música completamente acústica, ressaltando que, por este tempo, a região do Delta não possuía energia elétrica, o Delta Blues também é chamado de Country Blues, o Blues dos primeiros bluesmen, sendo estes descendentes diretos dos negros africanos, e, assim como seus ancestrais, tendo levado uma vida de escravização nas fazendas do Sul dos Estados Unidos. Seus grandes nomes, além dos já citados Son House, Blind Willie Johnson e Robert Johnson, são: Skip James, Charlie Patton, Blind Lemon Jefferson, Leadbelly, Mississipi John Hurt, Big Bill Broonzy e Lightnin´ Hopkins.








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Publicado por I. Malforea

BLUEZinada! é uma zine produzida pela Distintivo Blue e distribuída gratuitamente, desde 2011. Saiba mais sobre a banda:

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