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» » » » » Da África para os EUA e o mundo: blues, uma viagem musical #08


CAPÍTULO 3
COMO SE APRENDE BLUES?

Há uma forte tradição na música afro-americana na qual os artistas ouvem seus antecessores com a finalidade de aprender os segredos de sua música. Artistas do jazz, do rock´n ´roll e do soul, por exemplo, são ávidos ouvintes de seus antecessores. No Blues, encontramos Muddy Waters como fiel ouvinte de Son House e Robert Johnson, Eric Clapton ouvindo Big Bill Boonzy, etc.

Como já foi mencionado, o Blues, como fruto da música afro-americana, é música aprendida auricularmente, e o artista de Blues, principalmente em sua formação musical, aprende e/ou desenvolve sua música através da audição dos artistas mais antigos. É no contato com outros artistas do gênero, sobretudo com os mais experientes, que um novo artista desenvolve sua música. Clapton (2007), por exemplo, relata sua experiência: “aprendi totalmente de ouvido, escutando e tocando junto com o disco” (CLAPTON, 2007, p. 31). Para muitos artistas do gênero, assim como aconteceu com Eric Clapton, este contato com os mais experientes se deu através do disco, ouvindo e “tirando de ouvido” suas canções e assistindo seus shows. Nesse sentido, o disco tem suma importância no processo de aprendizagem do gênero Blues – é claro que, com novas formas de tecnologia, como a ferramenta da internet, por exemplo, o acesso aos bluesman é facilitado, já que pode-se adquirir toda a discografia de um artista, álbuns raros, acompanhar seus shows, etc. Para alguns artistas o contato com o bluesman também se deu de forma presencial, mais intimista, como foi o caso de Buddy Guy, que por muitos anos tocou na banda de Muddy Waters, e do próprio Eric Clapton, ao gravar junto com seu grupo na época, os Yardbirds, um disco com a participação de Sonny Boy Williansom.

Hoje em dia dispomos de muitas ferramentas para o processo de aprendizagem do Blues. Os artistas de outrora, sobretudo os primeiros bluesmen, não dispunham de tantos recursos e tiveram que, por eles mesmos, encontrarem uma forma de auxílio nesse processo. Clapton (2007) menciona: “não tinha ninguém para me ensinar, de modo que tratei de aprender por mim, o que não foi uma tarefa fácil” (CLAPTON, 2007, p. 30). Nos dias de hoje, além da já citada ferramenta da internet, que acelera o processo de obtenção de áudio, vídeo, etc., também encontra-se facilmente um grande acervo de livros didáticos que visam auxiliar a aprendizagem do Blues, sobretudo livros em português, escritos por artistas brasileiros (mesmo, como já citado, sendo o Blues um gênero musical aprendido de forma auricular, difícil de ser notado por ter interpretações diferentes a cada execução, os “métodos de Blues” passaram a ser muito adotados, sobretudo nos últimos anos). Outra forma de auxílio na aprendizagem do gênero é a participação em festivais. No Brasil, anualmente, há um grande número de festivais de Blues, como: Rio das Ostras Jazz&Blues, no estado do Rio de Janeiro; Ibitipoca Blues, em Minas Gerais; e Festival de Jazz&Blues em Guaramiranga, no Ceará. Nestes festivais pode-se assistir muitos artistas internacionais, sobretudo norte-americanos de regiões onde o Blues foi originado. Também participam artistas nacionais que tem sua produção voltada para o gênero musical Blues.


Festival Rio das Ostras Jazz&Blues/2011: Rodrigo Nézio&Duocondé Blues (arquivo pessoal do autor)





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Publicado por I. Malforea

BLUEZinada! é uma zine produzida pela Distintivo Blue e distribuída gratuitamente, desde 2011. Saiba mais sobre a banda:

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