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» » » » » » » » Lançado hoje "Cuphead", o game mais jazzístico que você já viu


Chegou um dos dias mais esperados pelos amantes dos games e da boa música: finalmente foi lançado o sensacional Cuphead, jogaço que empolgou a toda a comunidade gamer desde a disponibilização dos primeiros teasers em vídeo, em 2015. Trata-se de um jogo de plataforma e tiro, com influência de vários clássicos, como Contra, Mega Man X, Sonic Wings e muitos outros. Isso em si não seria lá um grande diferencial, principalmente numa época em que a tecnologia dos games compete com a do cinema (e não raramente vence). A questão aqui é: o jogo situa você num desenho animado dos anos 30, ao som de big bands de jazz.

Como era de praxe nos primeiros anos da animação, a anarquia, obscuridade, violência e diversão andam juntas nesta pérola. Os gráficos, além de extremamente bonitos, detalhados e naturais, resgatam de forma magistral o feeling dos cartunistas e animadores pioneiros. O enredo, nada politicamente correto, daria um ótimo blues à la Robert Johnson: num lugar fantástico chamado Inkwell Isle viviam os irmãos Cuphead e Mugman (sim, personagens bizarros, com cabeça de xícara e corpo de Mickey, numa óbvia referência aos seus primórdios na fazenda). Num belo dia foram parar no longínquo cassino do diabo, onde chamaram a atenção de todos por vencerem todas as partidas. Foi quando o próprio demo apareceu e propôs um desafio: se vencessem a próxima jogada ficariam com todo o dinheiro do cassino mas, se perdessem, perderiam suas almas. 

Cuphead, tomado pela sede por dinheiro fácil, aceita o trato. Claro que tudo não passava de uma trapaça do diabo. Ao perceberem que tudo estava perdido, imploraram por uma outra forma de pagar sua dívida. A resposta foi que eles teriam até a meia noite do dia seguinte para trazerem as almas de uma lista de devedores fujões. Isso mesmo! Todos os chefões do jogo nada mais são do que "pessoas" que fizeram algum trato com o tinhoso e conseguiram fugir: nossos heróis não passam de "pistoleiros" enviados por ele. Esses eram os anos 30, bem longe das temáticas maquiadas de hoje. O detalhismo é tão grande que até mesmo a história central do jogo é apresentada como num livro de contos infantis.

Os gráficos, a jogabilidade e a ideia em si foram extremamente elogiados em todo o mundo, mas vamos ao que nos interessa ainda mais: a trilha sonora. Composta por Kristofer Maddigan, contou com uma equipe de 42 músicos, incluindo elementos de big bands, cantor solista, pianista de ragtime. As influências passam por Cab Calloway, Duke Ellington, Gene Krupa e mais uma porção de referências que os mais atentos poderão descobrir (escreva suas descobertas aqui embaixo, nos comentários). O estúdio MDHR, dos irmãos canadenses Chad e Jared Moldenhauer, disponibilizou vídeos com os bastidores das faixas High Seas Hi-Jinx e Floral Fury, dando uma boa ideia do quão cuidadoso foi o desenvolvimento deste jogo:





A trilha sonora é monstruosa: são quase três horas de música, em 56 faixas do mais puro jazz, que pode ser adquirida por apenas R$19,90 na Steam, desde que você também compre o jogo, que custa R$36,99 no mesmo site. Há, ainda, um combo jogo + trilha por R$55,99, um valor justo por um trabalho tão caprichado. Os fonogramas, claro, estão em formato FLAC (sem compressão) e MP3 320 kbps, garantindo uma experiência de alto nível. Mas estamos falando de jazz, o paraíso dos audiófilos e colecionadores, não? Pois a trilha sonora também está disponível em vinil quádruplo de luxo com caixa vintage por US$100,00 na iam8bit.

Atendendo às necessidades dos jogadores mais antigos e exigentes, Cuphead já se tornou referência como um dos jogos mais desafiadores por seu alto grau de dificuldade, o que garante muitas horas de diversão ao som do jazz. Está disponível apenas para X-Box One e Windows 10, o que deixou muitos usuários de Playstation 4 e iMac desapontados. Outra mancada é ainda não ter a tradução para português, mas isso deve ser corrigido logo. Ainda assim temos aqui, sem dúvida, uma verdadeira obra de arte através da tecnologia, resgatando o espírito dos anos 30, bem como dos jogos de 16 bit, hoje disputados à unha por colecionadores. Sem exagero, podemos dizer que isto era o que sonhávamos num jogo nos anos 90: gráfico impecável, trilha sonora idem, jogabilidade perfeita e um grande desafio pela frente.







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Publicado por I. Malforea

BLUEZinada! é uma zine produzida pela Distintivo Blue e distribuída gratuitamente, desde 2011. Saiba mais sobre a banda:

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